terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Você torna bela a minha dor.



Queria amar-te como o mar, que alcança com seus lábios as margens de todas as terras. Ele beija seus lábios escorrega pelo seu corpo, indo e vindo, apreciando cada centímetro de sua pele da forma e no momento que seu desejo mandar. Contudo, de que adiantaria ser o mar, se ele estende seus braços mas não sai do lugar? És tão escorregadio, querido, que eu teria de inundar o mundo para acabar em seus braços.
Poderia eu, então, amar-te como o vento. Ele percorre campos, prados, oceanos sem se cansar. E incansável devo ser quando trata-se de você, querido. Se eu fosse vento, iria até o fim do mundo para alcançar-te. Espalhar-me-ia por todo espaço e expandir-me-ia até encontrar-te.

Oh Deus, mas o vento não possui olhos ou mãos! Como eu poderia, então, passar noites em claro a admirar cada traço de tua face e a tocá-lo da forma sólida que o vento nunca faria? Ora, é certo que ele poderia espalhar-se pela sua face a agitar seus cabelos, mas não receberia de volta o toque.

E se eu te amasse como uma vilã? Passaria por cima de tudo e de todos para chegar até ti. Colocaria o mundo aos meus pés e os habitantes deste em minhas mãos. Não teria piedade e tu deverias ser meu, então. Contudo, vilões não amam e assim eu perderia toda a magia de ter-te em meus pensamentos.

Como amar-te então? Como uma princesa, que está sempre em perigo em sua torre? Ou como o céu, que tudo abrange, que tudo vê, mas nada toca? Poderia eu ser teu sol para aquecer tua pele? Ou tua lua, para banhá-la com o brilho prateado que me tece? Seria eu uma aranha a prender-te em minha teia? Oh, não, tens medo de aranhas! Talvez uma flor, para chegar perto de teu rosto e mostrar-te meu aroma. Ou até mesmo teu espelho, para refletir a face que tanto amo.

Poderia amá-lo de todas as maneiras, ensimesmando-me todas as formas, em todos os momentos e circunstâncias. Poderia ser o chão em que tu pisas ou o leito eu que repousas. Poderia ser tua droga, que te entorpece e o faz viciar. Poderia ser o rock que te enlouquece e consola, a córnea de teus verdes olhos, os trajes que te vestem e estão tão perto de teu corpo. Poderia ser tu: tua alma, teu corpo, tua vida, teu coração. Poderia ao menos ter um pedaço em tal cerne ou ser um punhal que te fira a carne. Poderia ser eu teu paraíso e teu inferno, teu vinho tinto e teu veneno, aquilo que deseja e ignora ao mesmo tempo. Posso ser sua manhã e seu anoitecer, seu prazer à luz das estrelas. Posso ser a luz de sua rua ou o travesseiro em que deita a cabeça. Poderia ser seu lar ou sua renegada.

Poderia ser isso tudo e tudo isso sou, muito embora eu não seja apenas isso.
Sendo ou não assim, sou. Sou tua bênção e tua maldição, o presente que ganhou e não abriu. Talvez uma mochila, aquela para a qual sempre está de costas. Amo-te, amo-te assim, como um objeto, como teu brinquedo, como um detalhe do seu dia no qual não repara mas deseja quando está só. Aquilo no que pensa sem saber, que ama sem perceber, que estará sempre na retaguarda, como mera coadjuvante, alguém qualquer do time de reserva.

Ainda assim, amo-te. Amo-te pois essa és minha vitalidade e minha alma e é isso que forma meu coração e o faz bater. Amo-te como nem o vento, nem o mar, nem o chão ou o céu pode amar-te. Amo-te, apenas.

Você torna bela a minha dor.

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