Inércia maldita,
da peripécia desdita,
que nenhuma força maior
impede.
Pudera eu me pôr em movimento:
deixar de ser ar e passar a ser
vento.
Da vida que é curta,
que é uma,
uma dina, trina,
divina sina sem deus.
Da vida vivida, ida,
finada vida,
da vida só tiro pensamentos.
Lamentos, tormentos,
momentos, ventos,
lidos com pressa em terrenos lamacentos,
relentos, lazarentos;
em terrenos da alma,
sem calma, sem tato
na palma que espalma
e desalma vivalma.
Do risco vermelho,
do errado no espelho
que mostra nós e vós
– e vossa muda voz.
Absolutamente nada.
Inércia maldita,
da ama a desdita,
de ouro pepita
que nuca se encontrará.
Corrida de ouro,
de vida, tesouro
– da calma de ir de lá pra cá.
Inércia maldita,
não faz e nem traz,
a nada satisfaz
e acomoda o agito da mente.
Da mente que mente,
carente, doente,
nunca sorridente,
de nenhum modo crente,
feliz raramente
e triste talvez.
Dos dias de glória
aos anos de escória,
que traz pensamentos
e eternos lamentos
buscando momentos
que nem deus quer dar.
E o que é a liberdade?
além de ser a verdade
além de ser a verdade
pra quem já passou da idade
de buscar felicidade
que não tem num só lugar.
Que não se encontra na vida,
vivida, ida,
finada vida,
que me traz os meus momentos
– de onde tiro os lamentos,
tormentos, pensamentos
e outros tantos.
Que são lidos com pressa nos
terrenos da alma:
lamacentos, relentos,
lazarentos com encantos
e prantos.



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